terça-feira, 6 de maio de 2014

Das perspectivas de futuro de um povo à beira de um ataque de nervos.


Na passada semana ficámos a saber duas coisas que irão ter uma influência relevante no nosso quotidiano, a saber, a apresentação do Documento de Estratégia Orçamental, que trouxe alguns dissabores com as anunciadas subidas de alguns impostos, e o anúncio da "saída limpa" de Portugal, sem necessidade de um segundo resgate. Entre as salvas de tiros e os festejos de alguns, também se ouvem claramente os queixumes e gritos de outros. O caminho percorrido nestes anos troikianos foi tudo menos pacífico e indolor, nestes últimos 3 anos de ajustamento os portugueses perderam poder de compra, capacidade de investimento, perderam a nível da educação, saúde e qualidade de vida, e muitos perderam ainda a capacidade de sonhar e de ficar neste País. Com todo o esforço solicitado por este Governo, o qual não teve qualquer pejo em alterar o memorando inicial a seu belo prazer (exacto, o mesmo que servia de arma de arremesso contra o PS cada vez que algum socialista ousava falar mal da austeridade aplicada), Portugal encontra-se agora com uma dívida acima dos 120% do PIB, com uma taxa de desemprego a estabilizar nos 15,3%, do qual se salienta uma taxa de desemprego jovem na ordem dos 35,7%, e com uma classe média em vias de extinção. Com um quadro tão negro falta acrescentar ainda alguns pontos essenciais, assistiu-se a um total ajuste de contas ideológico nos últimos anos, com retrocessos históricos nas áreas da Educação, Ensino Superior com reformas que em vez de optimizarem lançaram o caos no sistema de ensino e afunilaram o acesso ao ensino superior a um sem número de pessoas, com a retirada de direitos laborais arduamente conquistados por gerações de trabalhadores e sindicalistas, com o incentivo directo e indirecto à emigração de quadros que tanto poderiam ter dado ao País que os viu nascer e que contribui para a sua educação e ainda os cortes brutais que quer os funcionários públicos quer os pensionistas foram alvo, sempre em nome de um equilíbrio orçamental que tarda em se sedimentar. Para o futuro, no meio das incertezas que o passado e o presente lançam, há uma certeza, Portugal necessita de mudar radicalmente as políticas seguidas nos últimos anos, abandonar por completo uma austeridade que mata e destrói e renunciar aos investimentos desajustados e demasiado onerosos para as gerações vindouras, procurando incrementar a economia do País, reestabelecer a equidade fiscal taxando quem mais pode e desonerando quem menos pode, voltar a restabelecer a solidariedade inter-geracional, procurar promover verdadeiras políticas de emprego e voltar a restabelecer os direitos conquistados em áreas como a Saúde e Educação. O futuro é incerto e negro mas a esperança faz-me persistir e acreditar que unidos, mais uma vez, o povo vencerá.

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